Revista CRM-SC - Número 123 - 2015 - page 16-17

REVISTA CREMESC
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REVISTA CREMESC
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LITERATURA
O Vale do
Fim do Mundo
Autor: Sándor Lénárd
Tradução: Paulo Schiller
Cosacnaify
2013, 224 págs.
Uma breve história dos anos romanos de Sandor e
Andrietta – Andrietta Lénárd, São Paulo, 2010, texto da-
tilografado doado pela autora à Casa do Imigrante Dona
Emma.
RUDNIK, Marli. Em busca da memória Alexander
Lenard. A Notícia, Blumenau, 09 de fev. de 2000.
Cader no de Anexo. p. 1. Disponível em:
<
h t t p : / / w w w 1 . a n . c o m . b r / 2 0 0 0 / f e v / 0 9 / 0 a n e .
htm
>Acesso em 22.4.15
A escrita de si e do outro: região e estereótipos
na obra de Alexander Lenard (1910-1972) - Keuly
Dariana Badel – Trabalho de Conclusão de Curso do
Curso de História do Centro de Ciências Humanas e da
Comunicação da Universidade Regional de Blumenau –
Blumenau, 2009. Disponível em:
.
anpuh.org/resources/anais/14/1308147924_ARQUIVO_
Ar tigoEscritadeSiedoOutroAnpuh2011.pdf
Blog da Cosacnaif. Disponível em:
-
sacnaif y.com.br/blog/?p=14583 Acesso em 22.4.15
Gli anni Romanni di Sándor Lénárd - Zsuzsanna
Vajdovics. Disponível em:
lenard/kritika/vajdovics4.pdf. Acesso em 22.4.15
Le “Storie romane” di Sándor Lénárd - Zsuzsanna
Vajdovics. Disponível em:
/
lenard/kritika/vajdovics3.pdf Acesso em 22.4.15
Lénárd por Ger vásio Luz – Jor nal de Santa Catarina,
23 de março de 2010. Disponível em:
.
hu/kiallitas/lenard/kritika/luz.pdf Acesso em 22.4.15
Alexander Lenard –
Alexander_Lenard
‘Winnie Ille Pu’ Nearly XXV Years Later – The New
York Times.
Disponível em:
/
b o o k s / w i n n i e - i l l e - p u - n e a r l y - x x v - y e a r s - l a t e r. h t m l
Acesso em 22.4.15
Lénárd Biographie - Péter Siklós.
Disponível em:
cv/indexde.html Acesso em 22.4.15
Agradecimentos à Sra. Niraci Chiminelli, por sua
valiosa contribuição com documentos sobre a vida de
Lénárd, e ao Sr. Giovanni Lénárd, filho de Sándor, pe-
las correções de fatos narrados sobre a vida do escri-
tor e autorização para a publicação das fotos.
Bibl iograf ia
O título da obra de Sándor Lénárd
faz referência a onde seria o fim
do mundo: para os cariocas, São
Paulo; para os paulistas, todo o
resto do Brasil, para os moradores
de Blumenau, qualquer lugar além
da cidade; para os moradores de
Dona Irmma (nome fictício dado
por Lénárd), um lugar na mata para
além do distrito de Nova Jericó.
A par tir daí, com um olhar edu-
cado pela er udição do ensino su-
perior da Europa da primeira me-
tade do século XX, Lénárd traça
um per fil do catarinense da épo-
ca, que de cer ta forma não difere
muito do atual. Analisa a mistura
das diversas etnias que coloniza-
ram Santa Catarina, e em especial
o Vale do Itajaí.
O autor vai contando as histórias
e a vida dos colonos e de todos os
habitantes da região, do médico
ao padre. Quase a cada parágrafo,
as histórias se transformam em
ensaios, com obser vações filosó-
ficas e sociológicas simples, mas
absolutamente per tinentes. Como
quando fala do líder político da re-
gião: “de vez em quando ele põe
um sapato e vai à capital, para ter
conversas íntimas com persona-
gens de alto escalão. Depois das
viagens resultam as consequên-
cias secretas: dizem respeito a
pontes, hospitais públicos, semi-
naristas, estradas, planos colos-
sais dos quais se concretiza ape-
nas a nomeação do sogro como
funcionário da escola e da mulher
como empregada dos Cor reios”.
Ou então “na América do Sul, toda
pirâmide começa a ser constr uída
pela ponta”.
Publicado originalmente em
1963, mantém-se atual; trata-se
de um livro de reflexões, de me-
mórias, de histórias engraçadas e
histórias tristes, capazes de me-
xer com as lembranças de cada
um de nós, habitantes deste Sul
do Brasil, país de por tugueses,
italianos, alemães, poloneses,
espanhóis, japoneses, libaneses,
gregos e tantas outras etnias que
constr uíram o ser brasileiro.
O Vale do Fim do Mundo
No Brasil, como na
América Latina, constroem-se
as pirâmides começando
pela ponta.
o por tuguês, com o título “O Vale
do Fim do Mundo”. O título origi-
nal em alemão é uma referência
ao dialeto falado pelos imigrantes
alemães, pois bast é a adaptação
de pasto, que em alemão é wei-
de; “O Vale do Fim do Mundo” é
a tradução do título em húngaro.
Em 1965, foi lançado nos Estados
Unidos o livro “The Valley of the
Latin Bear”, contando histórias
dos colonos do vale do Itajaí e
do próprio Lénárd, prefaciado por
Rober t Graves.
Lénárd era também excelente
cozinheiro e, a despeito de ter
passado fome durante a guerra,
lançou, em 1966, o livro “The
Fine Ar t of Roman Cooking”, que
fora lançado na Alemanha em
1963 como “Römische Küche”,
com receitas romanas, inclusive
da Roma Antiga. Em 1970, pu-
blicou “Ein Tag im Unsichtbaren
Haus” (Um Dia na Casa Invisível).
Produziu mais de 150 obras, en-
tre ar tigos e livros científicos, en-
saios, poemas, ficção, traduções,
ar tigos para revistas e jornais, li-
vros infantis (com ilustrações fei-
tas por ele) e literatura de incon-
testável qualidade, a maior par te
em húngaro, alemão, italiano e
inglês.
Em 1968, Erich Erdstein, um
jornalista que trabalhava para
a polícia em Curitiba, de férias
em Dona Emma, suspeitou que
Lénárd fosse o criminoso na-
zista Mar tin Borman. Enquanto
Lénárd se encontrava lecionando
nos USA, sua casa foi vasculha-
da pela polícia que, descobrin-
do documentos relacionados à
medicina, acusou-o de ser Josef
Mengele. Comprovado o erro dos
zelosos agentes policiais, Lénárd
publicou em 1970, em Stuttgar t,
o ar tigo “Der falsche Mengele”,
ou “Como cheguei a ser Bormann
e Mengele: um relatório da flores-
ta virgem”, contando o episódio.
Em 1956, Lénárd fora vítima de
um infarto. Desde então, e com
outros problemas de saúde, a par-
tir de 1970, resolveu cuidar de sua
morte pessoalmente. Mandou fazer
o terno que vestiria no seu enterro
e redigiu uma declaração de últi-
ma vontade, com a solicitação de
que fosse enterrado em sua pro-
priedade, na localidade de Nova
Esperança, Dona Emma, registra-
da judicialmente. Esta declaração
foi datada de 04 de abril de 1972,
em Blumenau (onde também pos-
suía uma residência, à Rua Coronel
Vidal Ramos, 340); nela assinalou
sua nacionalidade como indefinida,
e a profissão de escritor.
Sándor Lénárd faleceu em 13 de
abril de 1972, na “casa invisível” de
Dona Emma, na colina onde está até
hoje sepultado. Ao seu lado, está
Andrietta, que lecionou língua e litera-
tura francesa na FURB e na UFSC, e
faleceu em 2011, aos 90 anos.
A vida e a obra de Lénárd são
estudadas na Internet pelo “Lenard
seminarsgroup”, (
.
hu/kiallitas/lenard/szeminarium/
studygroup.htm
l); um filme sobre
sua vida, planejado pela Fundação
Húngara de Apoio ao Cinema, até
agora não foi realizado.
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